Para quem não me conhece, meu nome é Guilherme.

Natural de Curitiba, vivendo em Berlin e agraciado com a oportunidade de estudar durante um semestre na Coréia do Sul.

Antes de partir para o lado mais próspero coreano, decidi por visitar familiares e amigos no Brasil, e de lá partiria para o oriente.

O problema maior seria o valor desta aventura.

O caminho mais lógico me apontava do Brasil para a Califórnia e de lá para Seul, capital sul coreana, mas as cifras indicavam um rombo na minha carteira.

De Curitiba para São Paulo, e da cidade da garoa para os Estados Unidos eu precisaria de aproximadamente 900 dólares. Apenas para a passagem de ida, já que meu retorno não tinha data nem local específico.

Sem chances.

Há de existir uma opção mais em conta.

Abri um mapa e comecei a observá-lo com mais afinco.
Pelo Pacífico seria uma fortuna. Pelo Atlântico seria uma eternidade.

Optei por gastar meu tempo.

Não há um serviço gratuito ou website que ofereça o que eu me propus.

Comecei a procurar cidades no meio do caminho entre o Brasil e a Coréia do Sul, que poderiam servir como um ponto de parada, e cheguei a conclusão que Bangkok e Dubai seriam as melhores escolhas.
Depois de entrar no website de diversas companhias aéreas, encontrei os bilhetes divinos.

Saída de Curitiba e chegada em Dubai, com a Ethiopian Airlines, e de Dubai com destino final Seul, com a Singapore Airlines. Tudo por 300 dólares.

Por ⅓ do valor, eu chegaria no mesmo lugar. Ótima escolha, certo?
Vamos aos poréns então.

O vôo sairia de Curitiba para São Paulo, para depois continuar para Lomé (capital do Togo, na África), fazendo uma rápida escala e seguindo para Addis Ababa (capital da Etiópia), e finalmente chegaria em Dubai.

Do alto pude observar praias e não muita infraestrutura no Togo.

Chegando atrasado na Etiópia, nem tive tempo de entrar no aeroporto. Uma correria entre aviões pelo pátio nos levou até outra aeronave, com destino Dubai, onde eu teria uma escala de 14 horas, o suficiente para ver o que faltou na minha passagem por aquelas terras arenosas e ricas em 2014.

Devo dizer que Dubai não agrada. De todos os lugares por onde passei, muito provavelmente Dubai foi um dos que menos gostei, juntamente com Las Vegas.

Não estou condenando quem goste de lá, mas essa soberba e necessidade de se exibir não me engana. O complexo de ter o maior do mundo em todas categorias me parece como uma artimanha (nem um pouco) barata para angariar turistas no meio de um deserto.

Maior prédio do mundo: Burj Khalifa, oferecendo dentro dele também a casa noturna mais alta do mundo, a mesquita mais alta do mundo, o restaurante e também observatório mais perto das nuvens.

Maior fonte do mundo: Dubai Mall.

Maior resort de ski indoor do mundo: Ski Dubai.

Maior shopping do mundo: Dubai Mall.

Não deixa de ser impressionante, mas muito aquém dos meus gostos e princípios.

Enfim, de volta à viagem. As 14 horas em Dubai começaram às 6 da manhã e com já mais de 30°C nos termômetros. Perto das 10:00 já beirava os 40°C.

Como proceder?

Com o mochilão nas costas e caçando sombras tentei me aventurar pela cidade, mas não fui muito bem sucedido.

A sensação era de derrota. De um lado o calor insuportável, e do outro a opção de me abrigar em um shopping com ar condicionado.

A contragosto entrei no recinto de lojas refinadas, rinque de patinação e hockey, um montanha artificial para ski e demais extravagâncias.

Hora de partir. De Dubai para Singapura e de lá finalmente para Seul.

Não tive novamente tempo de ver algo no antigo Tigre Asiático, apesar de já ter passado por essas bandas em 2013.

E eis que depois de 57 horas eu chegava no local que me receberia pelos próximos 4 meses.

SIM!
57 horas entre sair da minha casa em Curitiba e chegar no alojamento em Seul.
É possível viajar mais barato.

Compare o preço de uma passagem direta para o seu destino, com múltiplos tickets parando em lugares intermediários.

Se me arrependo de todo esse tempo entre aeroportos e aeronaves?
De jeito maneira. Me arrependo de não ter explorado algo no Togo e na Etiópia.

Quem sabe da próxima vez.

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