A Revolução dos Bichos

By campodegelo

Respeitável público, com vocês o show das feras!
O elefante malabarista!
As focas equilibristas!
Os golfinhos em nado sincronizado!

Desde os tempos mais longínquos a exploração animal é canalizada para a recreação humana.

Brigas entre cachorros ou galos, corridas de touros, ou “simples” passeios no lombo de um camelo ou elefante, não importa. A insensibilidade humana é tremenda.

Em certas localidades na Tailândia e Vietnam tentam vender pássaros ou tartarugas, que abarrotados em pequenos potes ou gaiolas lutam para obter a liberdade. Os vendedores inclusive utilizam esse argumento como estratégia de marketing, tentando mobilizar turistas a liberarem algumas moedas em troca de uma vida melhor para os pobres animaizinhos.

Na Índia me deparei com macacos encoleirados, que prometiam (ou pelo menos seus donos o faziam) uma dança em troca de dinheiro.

O absurdo é concretizado quando alguém cede a isso, e os argumentos para tal são tão péssimos quanto o ato em si:

– Vai acontecer de qualquer maneira, comigo ou sem. Eu não suporto isso, mas verei mesmo assim.

Fotografias com tigres dopados parecem render várias curtidas nas redes sociais.

Tantos são os exemplos que me torno reticente quando há um lugar recomendável, como alguns santuários de elefantes no norte da Tailândia, mais precisamente nos arredores de Chiang Mai.

Nunca gostei de zoológicos. A tristeza me contagia ao ver animais tão lindos e distintos através das grades, mesmo sabendo que certas espécies não sobrevivem mais em habitat selvagem.

Obrigado raça humana!

Mas eis que fui convencido a visitar o santuário de elefantes, com vários campos, animais, e a promessa de uma vida digna. Muitos deles foram resgatados de circos, ou dos maus tratos ao nos carregar, malditos Homo sapiens.

Machucados e marcas do passado eram aparentes nos animais mais velhos. No meio deles um bebê de 6 meses, espalhafatoso e alheio a qualquer problema. Correndo, brincando, espirrando água em todos.

A reação de cada um desses animais com seu tratados provava que aquilo era um santuário mesmo, e por mais que ainda seja uma forma de exploração, com certeza é muito melhor do que muitos deles já passaram na vida.

Se recomendo a visita?

Não sei.

Me gerou mais questionamentos do que respostas.

Se por um lado há pessoas dispostas a ajudar, ainda existem milhares que tem uma visão fechada para esses abusos.

O ideal seria um mundo sem a necessidade de santuários, mas até lá muita coisa e muito tempo hão de passar.

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