Coisas que o dinheiro não compra!

By campodegelo

Posso parecer maluco mas devo dizer que me sinto incomodado com o atendimento de hotéis ou restaurantes mais refinados. Acho tudo falso, movido na maioria dos casos por dinheiro e sorrisos amarelos.
Desde a minha infância aprendi em casa que deveria ajudar nos afazeres domésticos. Colocar e tirar a mesa, lavar a louça, ajudar a preparar o almoço e qualquer coisa que viesse a calhar.
E isso se refletiu no meu futuro.


Voltando ao presente, depois do episódio policial vivido em Zurique, encontrei Luca, um suíço que dividiu o quarto comigo na Coréia do Sul. Nesse dia a carona e o passeio foram por conta dele. O destino era Lucerna, uma cidade que me fez me perguntar: estou na Suíça ou na China?
A quantidade de orientais com suas câmeras, sombrinhas e disposição para fotografar é imensa, mas não o suficiente para tirar o brilho e encanto da pequena cidade cercada por montanhas, rios e lagos.


Mais um couchsurfing encontrado e dessa vez o anfitrião foi Georg, um suíço que trabalha em restaurantes e adora bajular quem no seu apartamento se hospeda, no caso eu e um casal australiano nessa noite. A janta seria elaborada por ele e o prato principal seria algo da classe mais baixa em outros tempos, e da nobreza atual em certos lugares: fondue e batata suíça.
Estadia gratuita, refeição excelente na faixa, vinhos e cervejas, e a certeza que tudo foi feito com a maior boa ação e carinho. Todos ajudando a preparar os alimentos e lavar a louça após o término.
Excelente!


O próximo dia seria de pé e polegar na estrada. Uma placa indicando Berna e outra Thun (o destino final). Estava complicado encontrar um lugar para me hospedar, mas me decidi partir mesmo assim, sendo que na pior das hipóteses eu teria que colocar minha barraca no meio de alguma mata mais selvagem. Até a alma boa, divertida e amistosa de Denise resolve mudar seus planos. Voltando das férias na França, ela precisava de um tempo sozinha, mas se comoveu e resolveu me ajudar nessa empreitada.
Eu digo que há mais pessoas boas que más no mundo!


5 horas, 4 caronas, e apenas 140km percorridos depois e lá estava Thun, cidade de apenas 40 mil habitantes mas uma beleza incomparável. Rios, lagos, montanhas com neve eterna. Até mesmo um rio com correnteza para se surfar.
Possuo um certo ritual ao finalizar um dia com sucesso: degustar uma cerveja gelada. E já estava em busca de um lugar para comprá-la, quando sou abordado por dois surfistas que ficaram curiosos com as bandeiras no meu mochilão. Ao contar minha história de caronas e motivações, as pupilas pulam de espanto e de prontidão uma cerveja me é oferecida.


Mais uma ação totalmente genuína para um desconhecido.
Papo rápido com meus novos amigos e caminhada para conhecer minha nova anfitriã, Denise, a pessoa que nem conhecia mas já considerava um monte.
O MasterCard estava certo: há coisas que o dinheiro não compra!

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