Colorado, a terra das aventuras

By campodegelo

A vida na Tailândia já é passado, as montanhas do Colorado são o presente, e o Brasil é o futuro. Mas tudo tende a mudar com o tempo.

Logo mais o Brasil será o passado, a Alemanha o presente, e o horizonte o futuro.

Das terras úmidas e quentes da Tailândia para as formações rochosas e com neve do centro do Estados Unidos. Das comidas apimentadas e baratas, para os hambúrgueres gordurosos, com donuts de sobremesa. Da multidão e tráfego insano, para o barulho das águas frias e claras do riacho, onde um alce busca seu alimento. Da guerra contra as drogas com penas severas, para a completa legalização medicinal e recreacional da maconha.

Ao chegar ao aeroporto de Denver, depois de ter passado 1 dia com um couchsurfer em Hong Kong, me deparei com um grande sinal indicando um dispensário.

Para quem não conhece, um dispensário é como uma cliníca da Cannabis. Algo parecido com uma farmácia, mas que prega o uso apenas de produtos naturais.

Depois da legalização no Colorado houve um certo boom na economia do estado. Após algumas caronas pelo cenário paradisíaco confirmamos o ocorrido. Nossos motoristas comparavam o passado com o presente, e exibiam sorrisos. Aliás, quanta cordialidade por essa região.

“Bom dia. Como está? Como foi o final de semana? Tenha uma excelente viagem.” E isso vindo somente do motorista do ônibus.

Voltando ao dispensário.

É possível encontrar os mais variados produtos com a planta mágica neste estabelecimento comercial privado. Cremes para a pele, remédios e pomadas para dores, chocolates, sabonetes, e obviamente as flores da erva.

Quem por lá trabalha tenta ajudá-lo da melhor forma possível. Mas antes uma conferida no documento. Menores de 21 anos nem entram.

Depois de ter especificado suas intenções, se seria com o intuito de relaxamento ou para ficar mais ativo, saímos pela porta da frente, como se nada de errado tivesse acontecido. E realmente não aconteceu.

Não tenho números, nem estatísticas. Apenas a convicção de vários moradores (das mais diversas idades, fumantes ou não) que exaltavam o turismo, a diminuição da criminalidade, e a maior arrecadação do Governo com impostos, que agora investe em outras frentes.

Se o Brasil e outros países deveriam tomar a mesma iniciativa?

São muitas as diferenças entre um lugar e outro, entre uma cultura e outra, entre uma forma de política e outra, mas sem sombra de dúvidas afirmo: a única forma de lutar contra as drogas é a legalização. Acaba com o tráfico e segue o baile.

Mas isso só o tempo dirá.

Gentileza gera gentileza

No momento presente estou sentado na frente de uma lareira, em uma casa no meio das montanhas rochosas.

Os moradores se gabam dos mais de 300 dias de sol por ano, mas se isso é verdade, tivemos um pouco de azar. Ou seria sorte? 3 dias seguidos de chuva nos seguraram um pouco mais em Denver, capital do Colorado.

O tempo abriu e partimos para a natureza.

Depois de trilhar com a Cris e o Rafa (grandes amigos de uma Curitiba longínqua) e com a Toni (a alemã do sorriso encantador) ao redor de um lago cercado de picos nevados, fomos deixados em um camping, para podermos buscar ideias e destinos. Estávamos em Black Hawk, uma das mais antigas cidades do estado. Lembrando os filmes de Bang Bang, com pitadas históricas, o pequeno vilarejo era muito convidativo, e eis que no centro dele um outro dispensário. O passado encontrando o presente.

Parques nacionais, florestas, escaladas, altitude e ar seco. Cada passo tem que ser dado com cautela e foco na respiração, até estarmos bem acostumados.

A terceira carona do dia foi um pedido especial da Toni: “quero que um carro vermelho pare para a gente”. Dito e feito.

Jann foi o nosso motorista, guia, provedor de lar, e tudo isso se esbaldando em um pote de sorvete enquanto dirigia.

Deixe-me explicar: após sermos deixados em um outro lago, onde conseguimos a façanha de cozinhar e grudar a panela em um banco de plástico, seguimos rumo à estrada e avistamos a grande caminhonete vermelha, com o simpático e prestativo Jann.

Conversa vai, conversa vem, e vou virar um especialista na geografia norte americana, mesmo sem nunca saber o destino a ser tomado. E foi justamente essa indecisão, aliada com  chances de chuva, que fizeram com que o senhor nos oferecesse um local aquecido e seguro para nosso pouso. Um conjunto de casas datando de 1907 que pertencem à família de Jann por gerações, e que agora estão sendo reformadas.

Sem água, nem cozinha, com lareira, rios cristalinos, e uma paz relaxante por todos os lados.

Mensagem subliminar

Armados com machados em ambas as mãos, cara de lenhadores e algumas tentativas frustradas cortando a lenha, fomos abordados pelos vizinhos. Curiosos com os forasteiros, Diane e Percy se aproximaram com um coelho nos braços, e ao descobrirem que éramos convidados de Jann, nos ofereceram conselhos, dicas de como lidar com ursos e leões da montanha, cookies, café e uma amistosa conversa.

O passado deles foi com informática por diversas empresas, o presente é aposentado alternando entre as montanhas e a cidade, e o futuro se tudo der certo será viajando e aproveitando a vida.

Seria uma mensagem? Um presságio? Um exemplo a ser seguido?

Só o tempo dirá.

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