A crise dos 30

By campodegelo

Finalmente chegou o momento, temido por muitos e almejado por poucos.

A famigerada crise dos 30, da meia idade, da cobrança por resultados e sucessos.

Mas o que define o seu sucesso?

Dependendo do local onde fomos criados, das condições e adversidades enfrentadas, do amor e carinho recebidos, e infelizmente até da raça e opção sexual, a receita e o objetivo final podem diferir muito.

Onde cresci ensinaram que o importante era ser feliz e não prejudicar o próximo para isso, mas o que me rodeava era diferente.

A emoção dava lugar aos números, o sorriso ao resultado, a alegria à farta conta bancária. A profissão deveria ser escolhida baseando-se nas cifras, e não exclusivamente nas aptidões e gostos. Uma pessoa bem sucedida deveria possuir uma casa, um carro, uma família, boas roupas, quem sabe um apartamento na praia, e, não obstante, o celular do momento.

Eu não me enxergava nesse perfil. Para muitos ele funciona, todavia não para mim.

A rotina de 8 horas diárias de um trabalho sem sentido, apenas para acrescer números na conta bancária, para depois dizer que era feliz nos finais de semana, e nas férias, não me cativava. Então tomei a decisão mais difícil da minha vida (mesmo que a tenha percebido apenas mais tarde): largar a minha família e buscar o sucesso.

Na Índia ele era um pouco diferente, e eu já tinha passado da idade para o mesmo. Com 26 anos e sem a perspectiva de um casamento, os questionamentos eram incessantes. Aparentemente eu não poderia ser feliz sem alguém ao meu lado.

Ao retornar ao Brasil o vínculo empregatício tentou bater na minha porta novamente, mas não cedi. Eu já havia provado daquele veneno.

Com malas prontas, mais uma vez parti, dessa vez para a Europa, de onde meus antepassados partiram talvez em busca do mesmo tesouro que desejo.

No velho continente aprendi um novo idioma, desci alguns degraus para tentar um salto mais longo através de uma nova graduação (nunca é tarde para uma mudança), porém os mesmos fantasmas ainda rondavam a cena.

Trabalhar por trabalhar, ganhar por ganhar, gastar por gastar.

Continuei viajando, e inclusive intensifiquei o ritmo. O destino não importava mais. Qualquer coisa nova, povo distinto e cultura a ser descoberta me satisfazia.

Os estudos até que agradavam, mas o futuro ainda era nebuloso, então veio a Coréia do Sul, e com ela todos os níveis foram extrapolados.

A pressão social te ataca por todos os lados, ou pelo menos essa foi a impressão que tirei dos queridos, amáveis e tímidos coreanos. Não bastava ser bom no seu dever, há a necessidade de ser o melhor, mas não pense que isso é um bom parâmetro, o maior índice de suicídio do mundo não me deixa mentir. De lá cruzei o sudeste asiático e algumas ideias começaram a surgir. O meu sonho de infância estava a se desenhar, ou melhor dizendo, a ser escrito.

Nem astronauta, muito menos jogador de futebol, quando pequeno eu queria ser um escritor, mas a falta de estilo, as tirações de sarro, e a não tão promissora carreira mudaram meu destino.

Hoje viajo em busca do sucesso e escrevo por achar que possa incentivar alguém a lutar por seus sonhos. Se estou no caminho certo, não tenho como saber, mas brindo à essa crise dos 30 e digo (escrevo) em voz (caixa) alta:

NUNCA ESTIVE TÃO PERTO!

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