Empacotando a vida!

By campodegelo

Uma viagem, uma partida, um retorno, férias, ou uma mudança completa.

Não importa!

Em qualquer das situações acima, a bagagem precisará ser feita e posteriormente desfeita.

O que colocar nela depende de vários fatores, como os climáticos e geográficos por exemplo.

Vento, chuva, sol, praia, montanha, floresta, neve, calor. Cada aspecto implica uma completa mudança no seu figurino e utensílios do dia a dia.

Mas o mais importante de tudo não precisa ser analisado, investigado ou deduzido.

A sua bagagem depende somente de você.

Do seu desprendimento, da sua comodidade e forma de levar a vida.

Com o passar das viagens e das mochilas, aprendi que não importava o quão longo será o trajeto, as tralhas devem servir para no máximo uma semana.

Mas para chegar nessa quase perfeição tive que errar, mais pelo excesso do que pela escassez.

Na minha primeira empreitada fora do Brasil escolhi uma pequena cidade no norte dos EUA, onde eu trabalharia como salva vidas em um parque aquático. Detalhe, do lado de fora a temperatura e a neve apontavam -15 graus, do lado de dentro do complexo famílias com suas crianças se divertiam com os personagens da Looney Tunes, como Pernalonga, Patolino, Frajola e cia.

Com a mala abarrotada cheguei em Nova Iorque, onde junto com mais 3 intercambistas que se tornaram amigos (Bruce, Gustavo e Ovo), testei minha fluência no idioma anglo saxão.

O objetivo era comprar uma passagem de trem, enquanto o Ovo tentava diminuir sua bagagem para poder caber no armário da estação sem uma taxa extra. Queríamos desbravar a cidade um pouco.

Parecia simples, mas o medo se alastrou pelo meu corpo.

Uma direta e objetiva pergunta sobre valores e direções resolveria o problema, mas a boca secou, tremeu e se fechou.

Hi, I am potato! (oi, eu sou uma batata!)

Era como eu soava, porém aparentemente fui compreendido, e de lá rumamos para a pequena e pacata Queensbury.

Minha segunda mudança foi para a Índia.

Como se preparar para ficar 1 ano em um território completamente diferente?

A melhor resposta para essa pergunta é : Você NUNCA estará preparado.

Então nem se estresse.

Roupa se pode comprar em qualquer lugar. Leve o mínimo possível e se desprenda do mundo.

Chegando em Mumbai eu seria recebido por um membro da AIESEC (uma plataforma internacional que possibilita o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens estudantes através de programas de trabalho em equipe, liderança e intercâmbio). Ele me levaria até o hotel que a empresa havia reservado para a primeira semana.

O calor me recebeu de supetão, mas não encontrei ninguém à minha espera.

Aflição começou a bater, junto com as dezenas de indianos me oferecendo serviços de taxi. Passava o tempo e nada. Ninguém.

Esperto que fui, eu não tinha o telefone de ninguém, muito menos internet para verificar algo, porém o endereço do hotel estava anotado.

Eu precisava só entrar no aeroporto novamente, sacar algumas rúpias e partir para o local indicado. Fácil.

Ao me aproximar da porta sou abordado por um policial que com um sotaque peculiar pede para ver o meu bilhete.

Explico a minha situação, mas não há comoção. Eu não poderia entrar no aeroporto novamente, pois meu vôo já havia passado. Não haviam caixas automáticos do lado de fora, ou seja, eu estava (com o perdão da palavra) fodido.

Inspira. Expira. Inspira. Expira.

Limpe a mente. Tudo vai dar certo.

Com a confusão de pensamentos passando como um filme na minha cabeça me viro e dou uma última olhada na multidão que se aglomerava para receber os seus entes queridos, e eis que lá vejo um rapaz com uma folha de caderno escrito AIESEC.

Voilà!

Shantanu, um jovem indiano, havia se atrasado, e suando chegou para me receber.

Taxi pago pelo meu salvador, e uma impressão de que teria um belo e diferente ano pela frente.

Na Alemanha eu cheguei já mais experiente e as surpresas foram apenas as milhares de bugigangas que a minha mãe conseguiu infiltrar na minha mala, desde bala de banana, passando por paçoca, kit de costura, lanterna e adereços ademais (tudo extremamente útil, segundo ela. Obrigado, mãe!).

Cheguei por Madrid, onde minha irmã morava, e tive que ajudá-la a transportar a mala para Frankfurt, de onde ela seguiria viagem. Com excesso e tudo mais, contamos com a ajuda de um senhor simpático, que fez vista grossa e nos deixou seguir sem problemas.

Na Coréia cheguei morto, mas isso já foi discutido anteriormente. (http://campodegelo.com/57-horas-de-viagem/)

Cometi o “erro” de informar minha mãe que em território coreano seria difícil encontrar desodorante, pois os carismáticos asiáticos não necessitam do mesmo. Ao desfazer a mala acho que encontrei mais de 10 tubos variados aerossóis. Nada mal.

Vale lembrar que minha irmã ficou encarregada de trazer tudo após me visitar em Seul, pois eu ficaria 2 meses viajando apenas com o meu mochilão. Missão nada complicada para quem vive me seguindo por todos os cantos do mundo, mas a gente não esperava que as rodinhas fossem quebrar, fazendo com que a bagagem se tornasse como um saco de batatas.

Felizmente a companhia aérea arcou com o prejuízo e nos deu uma mala novinha em folha.

Mais feliz ainda fui eu, que escapei desse episódio e deixei tudo nas costas, ou melhor dizendo, nos braços da minha irmã.

Em outros momentos ficamos tão atordoados que esquecemos certas coisas. Como quando o patriarca da família realizou a proeza de deixar a mochila com todos passaportes e documentos na esteira do raio X. Sem falar um pio de inglês, conseguimos reaver a dita cuja. Fica o aprendizado de deixar dinheiro e passaporte sempre colado consigo.

E cá estou, com as malas abertas, preparando tudo para mais uma mudança, desta vez para a Tailândia, com uma certeza: a bagagem de memórias e experiências (que não tem limite de peso ou dimensões) vai crescer ainda mais.

 

2 thoughts on “Empacotando a vida!

  • Sônia Eisfeld novembro 24, 2017 at 07:14 Reply

    Mãe sempre será mãe, sem limites p colocar mimos, na bagagem dos filhos. Ahaha.

    • campodegelo novembro 25, 2017 at 16:30 Reply

      Obrigado por tudo mommy <3

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