Eslovênia, a jóia escondida da Europa

By campodegelo

Natal.

Fora durante a minha infância, quando meu primo ainda não tinha destruído a imagem do Papai Noel no meu imaginário, eu nunca dei muita bola para essa ocasião. Pelo menos não para a troca de presentes. Devo dizer que sinto falta ceias fartas, da reunião familiar, do especial do Roberto Carlos (mesmo nunca tendo assistido), daquele velho cronograma de sempre.

Ao decidir por morar no exterior, abdiquei um pouco disso, mas ainda tínhamos um ao outro, irmão e irmã morando no velho continente. E foi assim que decidimos (junto com nossa amiga Jass) aproveitar nosso primeiro Natal fora do país em um novo local: a Eslovênia.

Não confunda com a Eslováquia. Apesar de não serem distantes, são muito distintas.
Uma era parte da antiga Tchecoslováquia e a outra da Ioguslávia.

Enquanto a Eslovênia sofreu com guerras e conflitos, a Eslováquia se separou da República Tcheca de uma forma pacífica.

Os idiomas eslovaco e esloveno são diferentes ramos da língua eslava, e apesar de terem algumas semelhanças são diferentes.

De comum a fronteira com a Áustria, e a quantidade de parques e florestas.

Partindo para o sul, cruzando toda a Alemanha e Áustria maravilhados pelas montanhas com neve, chegamos a Bled, cidade marcada pelos seus lagos, castelo e igrejas. Em um ilha no meio do lago encontra-se a mais famosas delas, sendo reduto de matrimônios e romantismo. Um adendo aos noivos: preparem-se para carregar a noiva 99 degraus acima, caso queira mesmo casar-se por lá.

O frio de dezembro já dominava as nossas entranhas e esse país de inúmeras atividades radicais estava vazio. Cartazes anunciavam raftings, trilhas, rapel, mas as nevascas não permitiam a locomoção entre as localidades.

A ceia de Natal ficaria por nossa conta. Lentilha, farofa, e um filé tenro foram cuidadosamente preparadas e apreciadas, e nem mesmo perceber que tínhamos degustado carne de cavalo nos tirou o bom humor.

Mercados de Natal estão presentes na maioria das cidades européias e ali não era diferente. Tudo isso com a beleza dos lagos. Uma ida a Bohinj também é essencial.

Trilhas ao redor de suas águas cristalinas trazem avisos um pouco assustadores: cuidado com ursos!

Mais de 60% do país é coberto por florestas e consta que mais de 400 ursos-pardos as rondam, mas não havia motivo para preocupação. Era inverno, portanto eles estavam hibernando. Não seria nada mal se o ser humano seguisse essa rotina: comer durante estações mais quentes para poder dormir na época de frio.

Rios com tonalidades azuis e verdes nos deixavam embasbacados. Importante também mencionar que mais de 10 mil cavernas estão espalhadas pelo país e foi justamente para uma delas (a mais conhecida, Postojna, com mais de 20 km) que fomos. Extremamente bem cuidada, iluminada, e com estalagmites e estalactites gigantes. De lá partiríamos para o castelo de Predjama, recinto de inúmeros morcegos e um castelo encravado em uma caverna.

Entre Postojna e Predjama não havia transporte público e como tampouco tínhamos alugado um carro, o destino nos reservou a oportunidade da nossa primeira carona na Europa.

Não demorou muito para que duas caminhonetes parassem para a gente. Dentro delas uma família búlgara que rumava para as montanhas da Itália. Simpatia à flor da pele nos poucos quilômetros entre uma atração e outra.

O castelo em si é um dos mais conservados já vistos.

Nossa última parada nesse lindo e surpreendente país seria na capital, Ljubljana.

Maior cidade da Eslovênia com aproximadamente 280 mil habitantes, seu nome significa “A cidade amada”, sua fama é de ser uma nova Berlim (com cafés e lugares alternativos, como Rog, uma antiga fábrica abandonada com muitos grafites) e em 2016 foi eleita a cidade mais verde da Europa.

Não esqueça de experimentar os vinhos eslovenos também.

O símbolo da capital por si só já cativa: o dragão.

Da mitologia grega conta-se que Jasão matou o dragão que por ali habitava e assim fundou a cidade.

Verdade ou não, as histórias, comidas, beleza natural e de seu povo conquistaram um lugar nas nossas memórias e corações.

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2 thoughts on “Eslovênia, a jóia escondida da Europa

  • Vanessa Orfão novembro 9, 2017 at 10:16 Reply

    Me arrependi de não ter ido para Postojna e Predjama. Adoraria ter conhecido, mas também tava sem carro e não tive coragem para pegar a carona 😢😢 Devo voltar, certeza!!

    • campodegelo novembro 14, 2017 at 11:39 Reply

      Nem fale.
      A Eslovênia é um lugar que precisa ser visitado muito mais que uma vez.
      Queremos voltar também!!!

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