A chegada em Toulouse não foi complicada, a saída sim.
Recebido por Hanifah, uma malgaxe (nascida em Madagascar para quem não conhece essa nacionalidade) alegre, que gosta de falar e compartilhar músicas francesas, passamos a primeira noite a cozinhar e trocar experiências, aquele velho processo de conhecer e conquistar o novo anfitrião do couchsurfing, que pode soar repetitivo mas é surpreendentemente recompensador.


Toulouse, a quarta maior cidade francesa, não foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial, portanto conserva prédios antigos e uma arquitetura peculiar, aliada a um pôr do sol sublime.
Mas chega que de papo furado que isso aqui não é um blog de turismo.
Sair de uma cidade grande sempre é complicado, pois começar a pedir caronas dentro dela não funciona e as rodovias nem sempre oferecem os melhores lugares para esticar o dedão e seguir ao destino. Dois metrôs e um ônibus depois e eu me deparava com a auto estrada, mas para chegar a ela uma cerca.

Abre parentêses.
Viajo sem pagar para me locomover entre cidades, nem acomodação, mas repugno pessoas que não pagam os bilhetes no transporte público.
Um belo dia sentado no metrô em Berlin ouço um brasileiro falando com seu amigo recém chegado na cidade: “Cara, estou aqui fazem 6 meses e nunca deu problema algum. Nunca me pararam. Não compro bilhete mesmo. Não dá nada, relaxa!”.
Duas estações depois e controladores à paisana abordam meu conterrâneo e seu companheiro. 60 euros de multa para cada e um sorriso na minha cara que não consegui esconder.
Fecha parentêses.


Voltando à parte complicada da minha saída de Toulouse: a cerca.
Não poderia voltar, é contra meus princípios. Eu teria que transponê-la. Passa o mochilão, passa a placa que viria a me ajudar, passa a mochila pequena com água para outro lado. Agora é só pular.
Com a coordenação de uma garça no salto em altura consegui uma façanha, felizmente sem público para me aplaudir. Com a perna esquerda já do lado oposto, era só fazer um movimento e comemorar, mas nada é tão fácil quanto parece. Depois de passar a perna direita para o lado oposto, consegui engatar minha bermuda na cerca, e em movimento desastroso tombei, rasguei a vestimenta, e ganhei novos arranhões e hematomas com a queda.
Magnifique em bom francês!
Depois foi fácil. Passar rápido pelo pedágio (torcendo para não haver policiais) e apontar minha placa simpática e feliz para os veículos.
Incríveis 5 minutos se passaram, mesmo estando em um local não muito propício e Julien, um saxofonista de Bordeaux em sua van encosta e me diz que seu destino era os arredores de Bayonne, na costa francesa. Exatamente para onde eu queria ir.
Magnifique número 2!


Boas conversas musicais, dicas para leitura, uma nova banda para ouvir (Snawt, a banda dele), e quase 3 horas depois chegava onde queria: finalmente uma praia!
Jean-marc era a pessoa a me receber dessa vez, e esqueça sobre a França agora. Eu estava no País Basco. Bandeiras, símbolos, um novo idioma, uma nova cultura, uma particularidade muito diferente, mas a mesma hospitalidade encontrada anteriormente.
Jantares, cafés, passeios, vinhos, cervejas, até uma bandeira do País Basco para colocar no meu mochilão me foi oferecido.


Na manhã seguinte era a hora de nadar no Atlântico francês.
A praia se chamava Metro, nos arredores de Tarnos, com uma boa extensão, águas limpas e um bunker alemão da guerra.
Sim, um bunker no meio da areia abrilhantando ainda mais o ambiente.
Depois disso uma caminhada em torno de Bayonne, e uma introdução ao mundo basco, com seus esportes, comida e forte patriotismo.
Se um dia vai haver separação do País Basco da Espanha e desse pedaço na França, não sou eu que vou dizer agora, mas afirmo que essa cultura não pode ser apagada.

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