Bangkok me sufocava, me consumia, tirava as minhas forças.

Eu precisava fugir o quanto antes dessa atmosfera poluída de automóveis e concreto, mas durante apenas um final de semana, o destino não poderia ser muito distante.

Koh Samet surgia como o ideal.

Uma ilha a 200 km da capital, com suas águas claras e quentes.

Expediente cumprido com sucesso na sexta-feira, era hora de partir, mas a minha teimosia iria me retardar por um momento.

Corridas de táxis são relativamente baratas, se comparadas com outros países, mas não me agradam.

Sou um ser estranho, eu sei

Me sento no banco traseiro de um táxi e me sinto isolado. Me sinto como um Rei, longe do seu povo, vendo tudo a passar pelas janelas fechadas para manter o ar condicionado funcionando.

Evito esse meio de transporte sempre que posso, e não seria diferente nessa ocasião.

Ekamai era o nome da estação rodoviária para onde eu deveria rumar, e o Google Maps, que não é bobo nem nada (mas sabe pouco da rotina tailandesa) me indicou um ônibus local até lá.

Bus #23.

Caminho até o ponto e vejo o grande e alaranjado veículo na esquina anterior.

Pensei “que sorte”!

Mas ao contornar a rua, ele rumou para o lado oposto e ignorou aquela parada.

Pensei “que merda”!

Segui em frente, debaixo de forte Sol, buscando onde ele realmente pegaria novos passageiros. Alguns metros além e avisto o local correto.

Em Koh Samet eu iria encontrar a Toni, uma alemã que me marcou com seu sorriso, e visão da vida. Mais uma estranha na Terra, como mais pessoas deveriam ser.

Em um mundo que todos tendem a estar sempre conectados, com a face virada para a tela do celular e ignorando os arredores, ela resolveu se abster disso. Não possui celular e muitos questionam esse fato, acham um absurdo. Não fui tão radical, continuo com o celular, mas descartei o chip da operadora. Quando estou em casa, me conecto. Se estou fora, me comunico, pergunto, me divirto, me desligo.

No ponto os minutos passavam, mas os ônibus não.

1 hora e nada

Quando estava quase abandonando um dos meus princípios e tomando um táxi, avistei o número 23 no alto do transporte público. Corri até ele, coloquei minha mala em um canto e separei os 13 bahts (R$1.34) para pagar, até que a cobradora perguntou meu destino e com sinais demonstrou que eu estava no veículo errado.

O motorista falava um pouco de inglês e informou que eu deveria esperar pelo ônibus 23.

Não compreendi. Eu estava no ônibus número 23.

Até que ele mencionou que aquele era o 23 com ar condicionado e não seguiria até a rodoviária.

Desci no ponto seguinte e temi por perder o último transporte para a ilha. Já havia se passado quase 2 horas. No conflito mental, decidi pela praticidade e tomei um táxi, pelo menos até a estação de metro, de onde eu poderia seguir.

Depois não houve mais segredo. Estação, ônibus, mais de 4 horas de viagem e uma estadia em Ban Phe, perto do porto para a ilha.

Já era tarde e a travessia custaria muito. Na próxima manhã eu acordaria cedo e cruzaria o mar por meros 50 bahts (R$5).

A ilha por si só foi maravilhosa. Mar azul, limpo, areia branca, alguns resorts, mas com a opção de refúgios e lugares mais calmos.

2 dias foram pouco, mas suficiente para eu desejar não retornar à Bangkok.

Retorno que havia sido combinado mesmo antes da ida: seria a primeira carona de Toni na Asia.

Make Hitchhiking GREAT again sendo espalhado pelo mundo.

Tomamos o barco de volta ao continente, caminhamos cerca de 2 km até a rodovia e esticamos a mão para a estrada. Exatos 5 minutos depois estávamos dentro de uma caminhonete, com um simpático casal que pouco nos entendia.

Eles não iam para Bangkok, mas nos levaram por cerca de 30 km. Com um olho no mapa e outro na estrada, notei que algo estranho estava acontecendo. O motorista estava nos levando para a rodoviária, em um genuíno ato de ajuda, mas não era bem o que queríamos.

Tentei explicar, mas não houve sinal algum de compreensão. Pedi para eles encostarem e saímos do veículo com olhares estranhos de surpresa e transtorno. Tudo foi resolvido depois com mensagens e devidas traduções quando trocamos mensagens. Eles pegaram meu contato, perguntaram se havíamos chegado bem, e nos desejaram uma excelente viagem pela Tailândia. Fofos.

A segunda carona do dia foi ainda mais rápida. Apenas 4 minutos de espera e estávamos na caçamba de uma caminhonete.

Destino: Bangkok.

Melhor que a encomenda!

Entre sorrisos, conversas, e muito Sol, conseguimos um novo fôlego para a vida na capital.

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