Por um lado, reina o segredo, o totalitarismo, e as ameaças de um gordinho fanfarrão. Pelo outro, empresas consagradas, avanço tecnológico e uma competitividade impressionante.

Quem vê a Coréia (pelo menos a sua metade ao sul) nos dias atuais, não imagina que logo após a Segunda Guerra Mundial, esse país, ainda sem divisão, era um dos mais pobres do mundo. Ocupada pelos japoneses desde 1910, a península foi dividida entre soviéticos e americanos, devido a explosão das bombas em Hiroshima e Nagasaki, e consequente rendição nipônica.

Apesar dos estado de ruínas em que o país se encontrava, o governo foi firme em manter (e inclusive aumentar) o investimento em educação, juntamente com o incentivo dado às famílias mais ricas, visando o desenvolvimento de conglomerados industriais. Dois destacam-se:

  • Um empresa que vendia peixe seco e produtos alimentícios, conhecida por Samsung;
  • Um empresa de cosméticos que oferecia principalmente cremes faciais para mulheres, denominada LG.

Como bem sabemos, ambas mudaram, digamos que drasticamente, os seus ramos de atuação.

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Após crescimentos, crises, governantes com postura ditatorial e outros problemas, esse pequeno Tigre Asiático rugiu, e hoje é uma das maiores economias do mundo.

– Chega dessa aula de história! Eu estou aqui para saber como é a vida na Coréia. O que eles comem, onde vivem, como se reproduzem?

Primeiramente, fora pressa!
Preciso compartilhar uma das bandeiras mais lindas de todas.
Não se engane pelo símbolo da Pepsi no centro, ela tem muito mais a nos dizer do que isso.

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O círculo simboliza o Absoluto, a unidade essencial de todo um ser. A parte superior (vermelha) representa o “Yang”, enquanto a inferior (azul)o “Yin”.
Originários da China, esses dois opostos expressam a eterna dualidade: dia e noite; fogo e água; construção e destruição; macho e fêmea; mais e menos; a vida e a morte.  A dualidade indica o paradoxo da vida e a impossibilidade de aprendê-la integralmente (nem tente).
Os conjuntos de linhas nos extremos podem simbolizar diferentes aspectos, desde os quatros elementos (Terra, Fogo, Vento, Água, Coração), passando pelas quatros estações do ano, podendo também expressar as quatro direções cardinais, ou as quatros principais virtudes (sensos de humanidade, de justiça, inteligência e cortesia).
Por último, mas não menos importante, a cor branca de fundo representa a paz e a pureza.
Lindo, não?

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Seul é definitivamente uma mescla do mundo antigo com o moderno.
Vilas com seus tetos característicos (Hanoks) destacam-se no meio de arranha-céus imponentes.
Templos pedem passagem junto com ginásio para competições de games.
Palácios dividem seu espaço com gigantes mercados de eletrônicos.
Ao entrar em um metrô, dificilmente você encontrará alguém que não esteja vidrado na tela do celular. Em certas ruas é possível inclusive avistar sinais proibindo o uso do mesmo.

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Espanta a facilidade em identificar um casal coreano.
Não!
Eles não são de demonstrações explícitas de carinho. Em contrapartida, há uma tendência para que ambos utilizem roupas parecidas.
Camisetas com estampas iguais, tênis com mesma cor, bonés utilizados pelos dois, mochilas semelhantes, dizem as más (ou seriam boas?) línguas, que até a roupa íntima deve combinar.

Negativo, meu caro/minha cara.
Apesar de haver lugares calmos e propícios para reflexão e meditação, a grande maioria vive em um fluxo intenso. Estudos indicam uma grande frota automotiva, com aproximadamente 1 veículo a cada 2 pessoas.
Meu bem, veja que o futuro já chegou. A máquina não pode mais parar.

É bom colocar também, que mais de 45% da população não manifesta uma preferência religiosa. Do restante, a maioria (40%) é cristã e aproximadamente 22% budista.
Diante de tantas estátuas de Buda, é interessante observar a grande quantidade de igrejas, sendo uma delas a maior igreja evangélica do mundo, com mais de 1 milhão de seguidores.

A alimentação na Coréia do Sul é baseada principalmente em arroz, vegetais e carnes, tudo regado com doses, talvez exageradas ao seu paladar, de pimenta. Acreditem, a comida pode ser mais apimentada que a encontrada na Índia.
Vegetarianos passam por uma certa dificuldade por essas bandas.
Uma refeição tradicional é marcada pela grande quantidade de pequenos pratos adicionais, sendo o Kimchi (diversos ingredientes fermentados, principalmente repolho, especiarias, e um caldo de camarão ou ostra) o principal deles. Estima-se que cada sul coreano consuma aproximadamente 18 kg dessa mistura por ano. Talvez por isso dizem que o famigerado alimento previna câncer.
Restaurantes possuem mesas muito baixas, onde seus clientes sentam-se no chão para partilhar o alimento, que muitas vezes é preparado por eles próprios, em chapas ou bocas de fogão localizadas no centro de cada mesa. Logo, o consagrado churrasco coreano é elaborado por você mesmo. Após grelhada, coloca-se a carne e a pimenta em uma folha de alface, brinda-se com um copo de Soju (bebida destilada feita de arroz) e compartilha-se bons momentos com seus amigos ou familiares (por favor, não pegue o telefone na mesa).

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O favorito de todos: Chimaek.
Versão simplificada de Chicken e Maekju, ou seja, frango frito com cerveja.
Aparentemente coreanos não passam muito tempo cozinhando, pois restaurantes e barracas de rua estão sempre lotadas, e lojas de conveniência se proliferam por todos os cantos.

Em certas regiões, o consumo de frutos do mar supera o da carne. Aquários com as presas vivas estão em quase todos estabelecimentos, garantindo peixes de qualidade e frescos, as vezes até demais.
San nakji ! Guarde esse nome. Talvez para fugir dele, caso você não se sinta muito aventureiro, pois trata-se de polvo, que é preparado vivo e somente é morto ao chegar à sua mesa, fazendo com que os tentáculos continuem a mover-se enquanto você duela com o Hashi metálico para colocá-lo na boca. Chega a ser engraçado as ventosas grudando na sua língua, mas cuidado. Só engula depois que estiver completamente imóvel. Há casos de mortes por asfixiamento.

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A Coréia do Sul é um país lindo, cheio de atividades, eventos, mercados e templos. Transpira sua antiga e recente história, e tem muito ainda a acrescentar, porém nem tudo são flores.

Um hábito cotidiano é o de cuspir no chão. Mas refiro-me a uma escarrada sonora e gostosa, que limpa as profundezas da garganta. Vamos concordar que não é algo muito agradável.
Latas de lixo são quase impossíveis de serem encontradas, e há uma razão para isso: o governo coreano queria cobrar as residências por seus resíduos, portanto cidadãos com o jeitinho coreano tiveram a brilhante ideia de depositá-los nas lixeiras urbanas, e evitar um pagamento indesejável, fazendo consequentemente que elas fossem retiradas de toda região.

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Um fato alarmante e trágico, é o índice de suicídios do país (segundo maior do mundo). Envenenamento é um dos principais métodos praticados, e uma diferença para outros países é o alto número de idosos  retirando suas próprias vidas. Isso acontece devido a uma elevada quantidade de anciões abaixo da linha da pobreza, que preferem esse destino a gerar despesas para suas famílias.
Felizmente, graças a certas ações, o índice vem diminuindo, mesmo que pouco, ano a ano.

Como diria Dallas Tamaira, da banda Fat Freddy’s Drop:

“well it’s hard to be happy
in a world that’s so cruel
where the weak just get weaker
where the powerful feud
where the children go hungry
while the soldiers stand by
lay down your weapons
take hold of your lives
and when will we learn
that it’s hate that breeds hate
only love is the cure
don’t leave it too late
get up, and feel it
the truth that won’t wait
if we choose to do nothing
then we take all the blame”

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