Lar, doce lar!

By campodegelo

Lar, doce lar!
O que um lugar precisa ter, para então você o chamar de casa?

Família? Amigos? O sentimento de ser amado?
Infraestrutura? Segurança? Um emprego estável? Um bom sistema educacional? Respeito?
Todos os fatos ao mesmo tempo?

As respostas são as mais pessoais possíveis e por isso não devem ser julgadas.

Morar no exterior é muitas vezes visto através de óculos e raios gourmetizadores, não demonstrando a realidade enfrentada. Todo lugar tem suas vantagens e desvantagens, portanto o conselho é simples mas poderoso: não existe lugar perfeito no mundo, ou pelo menos não pela sua natureza por si só.

Você pode transformar (quase) todo recinto no seu próprio paraíso.

Berlin (Alemanha), Seul (Coréia do Sul), Mumbai (India), Queensbury (EUA) ou Curitiba (Brasil), qual deles é o melhor?

Mas melhor em qual sentido?

Ou quem sabe uma das questões mais temidas por viajantes experientes: qual é o seu lugar preferido?
Sinceramente, eu não faço ideia.

Repentinamente eu me sinto parte da capital alemã, e não temo em dizer isto: eu não conheço melhor cidade para se viver durantes os seus 20 ou 30 anos do que Berlin.
Minutos se passam e um forte pensamento de retornar para minha cidade natal (ou de mudar-me para uma nova) assola minha mente.
O que está errado comigo?

Mumbai e Seul me receberam de braços abertos, porém elas nunca foram um lar para mim.
Fiquem tranquilos meus nobres indianos e coreanos, eu ainda amo vocês, mas eu era simplesmente um estranho na sua terra.

Eu poderia morar lá por anos a fio, aprender o idioma fluentemente e praticar todos os hábitos locais, que mesmo assim graças à genética eu sempre atrairia olhares curiosos para o meu ser.
Em Berlin eu sou apenas mais um na maluca multidão.

Ao retornar à casa (eu disse casa?) tenho uma mistura de sentimentos. Ao visitar meus familiares e amigos, ao comer as deliciosas misturas brasileiras, ao me reconfortar no idioma português me sinto realizado, mas confuso. Preciso de alguns dias de adaptação. Ao conversar com alguém, não percebo problema algum, todavia as vozes ao redor me deixam inquieto.

Nossa! Existem brasileiros aqui! Eu consigo entendê-los.
Mas espere um pouco, eu estou no Brasil, claro que existem brasileiros aqui!

Esse processo mental teima em permanecer dentro de mim por alguns dias, até me climatizar completamente. A seguir começo a perceber que sinto falta de alguns hábitos alemães: a rapidez no atendimento em supermercados, as cervejas boas e baratas, o sistema de transporte público, o lado tranquilo de aproveitar a vida em parques.

Será que meu lar, doce lar mudou de continente?

Eu não utilizaria o verbo “mudar”, mas faria uso do “compartilhar”.

Alguns dizem que compartilhar é cuidar (do inglês sharing is caring), então eu gostaria de compartilhar o meu lar com todos os lugares (e principalmente com as pessoas) que me fizeram sentir-se amado e bem cuidado.

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