Não era um mero sábado. Era um sábado de aula.

Desde cedo pela manhã com a bunda em uma cadeira, ouvindo um professor vociferar conceitos de Marketing.

O ânimo não era dos maiores, assim como a concentração. Uma vasculhada em sites de viagem me manteria acordado por mais algum tempo, e foi assim que me deparei com a página da Ryanair e uma passagem atrativa: ida e volta de Berlim para Atenas por meros 30 euros (R$112 na cotação atual).

Eufórico comecei a reserva, mas não consegui passar despercebido e meus amigos ao redor perceberam tal agitação. Ao mencionar o destino e principalmente os valores, vi olhos brilharem como de crianças no Natal.

Rapidamente a história foi se propagando pela monótona aula e no final das contas 14 pessoas, incluindo a minha pessoa, estavam com seus bilhetes reservados para a capital grega.

Para completar a epopéia na terra de Platão conseguimos uma reserva para todos os integrantes no mesmo albergue. 3 quartos em um prédio com um terraço e uma excelente vista para o Partenon (templo dedicado à deusa grega Atena, construído no século V a.C. na Acrópole de Atenas).

Por 4 noites desfrutaríamos das mais antigas construções, dos mais deliciosos e baratos sanduíches conhecidos como gyros (consegui comer 12, enquanto meu nobre amigo italiano Francesco degustou 13), do não muito agradável Ouzo (uma bebida alcoólica grega feita com base no anis. É transparente e incolor, mas fica com aspecto leitoso quando é misturada com gelo ou água) e das inúmeras risadas de todos os presentes.

Uma bela manhã acordo e me deparo com uma névoa no corredor. Atordoado e com náuseas por causa do cheiro forte (ou da ressaca da noite anterior) começo a avaliar a situação. Todos os andares estavam com uma camada espessa e branca de pó. Aparentemente alguém havia utilizado os extintores, mas não havia sinal algum de fogo.

Ao chegar à recepção minha dúvida foi esclarecida através de um vídeo. O dono da pensão buscava os responsáveis por tal ato, mas felizmente nenhum de nós estava envolvido.

Um grupo de espanhóis achou uma excelente ideia fazer uma guerra de extintores durante a noite, esvaziando dois deles pelas escadas do prédio.

Obviamente não contente com o ocorrido, o simpático dono da acomodação buscava os responsáveis para arcar com o prejuízo e eis que eles surgem. Com um inglês carregado de sotaque e cheio de desculpas eles tentavam ignorar o episódio e fugir do recinto.

Ingenuamente o dono do local não havia pego cópias dos passaportes do grupo e um a um eles foram saindo como se nada tivesse acontecido. Meus amigos até tentaram ajudar e correr atrás dos baderneiros, mas era tarde demais.

Prejuízo, desgosto e falta de confiança nas pessoas estava estampado no rosto daquele jovem empreendedor.

No demais aproveitamos as ruas estreitas e cheias de comércio, fomos em um jogo do campeonato grego (AEK Athens 3×0 Kalloni, em um estádio Olímpico não muito cheio), e no último dia a grande maioria partiu para uma ilha chamada Aegina, mas não muito disposto resolvi ficar pela capital e junto com Francesco subir o monte Lykabettos (mais alto da cidade), para desfrutar um dos mais bonitos pores do sol já vistos.

Desde essa viagem o laço entre os antigos colegas e agora amigos se fortaleceu, e espero que novas viagens assim ocorram, com boas doses de espontaneidade, risadas e diversão.

Obrigado Camila, Christina, Francesco, Jonathan, Kosta, Markus, Michele, Milos, Monika, Sardor, Veronica, Vlad e Zahra por terem feito parte disso!

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