Perdido na imensidão verde

By campodegelo

Após retornar da viagem à Espanha, e me emocionar com os riffs de guitarra, movimentos dançantes e voz inconfundível dos Rolling Stones, eu estava de volta à minha missão: encontrar um estágio para poder me graduar.

Procurar uma empresa, escrever um currículo, elaborar a carta de motivação, mas cadê a motivação para trabalhar em algo irrelevante?

Desanimado com as aplicações e rejeições em forma de respostas automáticas cometi o equívoco de abrir a página da Ryanair, e minutos depois a viagem para a Letônia com retorno da Lituânia estava reservada. 1 semana entre as capitais desses dois países Bálticos, que pouca gente conhece ou mesmo sabe onde ficam. Entre eles a missão era encontrar hospedagens com couchsurfing e viajar na base da carona (me conte uma novidade).

Ao sobrevoar a Letônia fico abismado com a imensidão verde, já que quase metade do seu território é coberto por florestas, oferecendo muitos parques e trilhas pela natureza.

Krista e Armands, um simpático e criativo casal, me aceitou por 2 noites em Riga, mas eu teria de perambular pela cidade até mais tarde, pois eles tinham algumas pendências para resolver.

Sem problemas. Eu tinha tempo livre para fazer o que mais gosto: caminhar pelas ruas de um local desconhecido.

O centro histórico de Riga foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, e a cidade é particularmente notável por sua arquitetura Art Nouveau mesclada com alguns prédios de estilo soviético.

18 km de caminhada por ruas estreitas, e uma refeição pesada à base de batata e carne de porco depois era hora de tomar uma cerveja para relaxar e esperar o momento para chegar ao apartamento do casal letão.

Sempre digo que ao viajar sozinho estamos sempre acompanhados. A necessidade de uma conversa, um comentário ou pedido de informação nos faz aproximarmos ainda mais de desconhecidos, e nesse dia não foi diferente.

Munido de meu mochilão e uma caneca de cerveja fui abordado por 3 jovens que moram pelas redondezas há alguns anos. Papo vai, papo vem, e fui convidado para a casa de Kiran e Richard, dois indianos naturais de Kerala extremamente simpáticos e receptivos.

Depois de algumas músicas, chocolate indiano e boas histórias tive que me despedir e partir para conhecer as boas almas que se disponibilizaram a me receber.

Hoje em dia é possível notar certa animosidade com relação a russos ou poloneses. Devido a uma história de conflitos e conquistas por ambas as partes, principalmente as gerações mais antigas ainda guardam um certo rancor, que tende, ou pelo menos esperamos que venha a diminuir com o passar do tempo.

Normalmente não gosto de comentar sobre passeios ou fornecer dicas turísticas, afinal de contas são incontáveis os blogs com elas (mesmo assim não sinta-se inibido de me perguntar algo), mas preciso mencionar o nome de Jānis Lipke, um trabalhador do porto de Riga que salvou mais de 40 judeus, escondendo-os na sua casa durante a Segunda Guerra Mundial. Um memorial foi construído na sua antiga residência e uma visita à ela renova a esperança que temos no mundo.

3 dias depois era o momento de partir e começar as caronas pelos países Bálticos.

Seguindo a minha tradição de não planejar muito para onde ir, apliquei para me hospedar em outras cidades letãs, mas também em algumas lituanas, e eis que fui aceito por Monika em Panevėžys, na Lituânia.

Antes de sair de Riga resolvi enviar um cartão postal para um amiga na Suíça, e para isso eu precisava de um selo. O que aparentemente era uma papelaria se revelou uma loja de mapas antigos, e de lá saí com um mapa original da região de Curitiba feito por russos durantes os anos 70. Uma verdadeira relíquia por 3 euros!

Com esse novo artefato, uma placa indicando a Lituânia, meu dedão e um sorriso no rosto parti para mais um novo país, o de número 56 na minha lista e nas minhas costas.

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