O ano era 2560.
A estação era inverno.
A temperatura batia 34 graus, com sensação de 38 durante o dia.

Um futuro pós apocalíptico?

Longe disso. Simplesmente a Tailândia.

Com grande maioria budista, nada de surpresas por não seguir um calendário cristão.

O ano é contado de acordo com a morte de Buda Gautama, 543 anos antes do suposto nascimento de Cristo.

O acolhedor inverno tailandês oferece dias de sol e temperaturas agradáveis, especialmente durante a noite, com brisas gostosas para a prática de esportes e ginástica nos parques espalhados pela capital. Entre 17h e 18h um treinador ou treinadora puxa o som com seu microfone, fazendo senhoras, senhores e jovens movimentar suas articulações ao ritmo das mais variadas músicas ocidentais com letras tailandesas. Impossível não abrir um sorriso ao presenciar isso.

Mas por favor se comporte de forma correta às 8h e às 18h!

Parques, estações de metrô, canais de televisão e estações de rádio vão tocar em alto e bom som o hino tailandês, todos os dias durantes esses horários.

Portanto, se levante e respeite.

É incrível como tudo pára nesse momento. Automóveis, pessoas correndo, motocicletas. É como se você apertasse o Pause no seu controle por um momento. Todos se prostam de pé, e com uma postura firme ouvem o hino nacional.

Reino de Tailândia une a carne e o sangue de tailandeses.
A terra da Tailândia pertence aos tailandeses.
Grande tem sido tua independência, desejar a soberania permitiu mantê-la,
Porque os tailandeses se uniram para sempre.
Tailandeses são pacíficos e carinhosos,
Na guerra não somos covardes.
Nossa soberania nunca será ameaçada,
Sacrificaremos cada gota de nosso sangue por nossa nação.
Estamos prontos para morrer pela liberdade,a seguridade e a prosperidade.

Nas coincidências da vida, eis que ela me presenteia novamente com Peter e Ramona.
Para quem não se recorda, conheci os dois ao redor das ruínas de Baalbek, no Líbano. Passamos a tarde e almoçamos juntos, e depois ainda ganhei uma carona de volta à Beirute.

O que aconteceu alguns meses mais tarde em Bucareste, Romênia, já foi supreendente.
Apenas algumas horas na capital romena e um carro surge buzinando incessantemente, e lá estava o feliz casal novamente.

Sem nada combinado. Simplesmente era para acontecer, e aconteceu na Tailândia mais uma vez.

Viajando pela Ásia, eles estavam em Bangkok na mesma semana que cheguei.

A vida é bela!

Ao chegar da noite, surgem os mais diversos mercados com suas barracas oferecendo variadas comidas. Não que isso não ocorra durante o dia também.

Em qualquer canto de Bangkok você encontra algo para comer.

Frutas, frango, peixe, frutos do mar, porco, sopas, macarrão, currys, leite de coco, é incrível como a cozinha tailandesa e variada.

Alguns estrangeiros me avisaram para tomar cuidado com a higiene dos estabelecimentos, mas quem vê cozinha, não vê barriga cheia. Se o lugar está cheio de tailandeses, é mais do que suficiente para mim.

Se eles sobrevivem a isso, por que eu não irei também?

Quanto menos sofisticação melhor.

Mesas na calçada, cozinha itinerária com rodinhas, comida pendurada sem proteção e temperos a céu aberto. Posso resumir tudo em uma única palavra: DELÍCIA!

Os mercados são inúmeros e para chegar à eles tenho optado por dois meios: meus pés ou transporte público.

Taxis são extremamente baratos, em comparação com outros países. Uma corrida de 6km vai ser algo em torno de 80 bahts (2 euros ou 8 reais). Mas pensem comigo, com esse valor eu consigo me deliciar com 2 fartas  refeições na rua.

Por que não tomar um ônibus por 18 centavos de euro ou 70 centavos de real então?
Chegarei ao mesmo lugar, obviamente demorando mais, mas com um contato mais próximo com o povo local.

Dentro de um táxi me sinto em outro mundo. Fechado por portas e janelas, com ar condicionado, estou longe do povo.

Vejo tudo e me sinto envergonhado. Gostaria de estar suando com eles, com aqueles sorrisos acolhedores e sinceros. No ônibus estou junto com eles, não sou melhor do que ninguém, sou parte da massa e me sinto feliz com isso.

Sei que nunca serei um tailandês, nem um coreano, indiano ou alemão, mas se escolho morar no país de cada um deles, quero viver o mais próximo possível de cada cultura possível.

Turista? Não!

Desbravador? Sempre!

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