Petra, uma das 7 Maravilhas do Mundo

By campodegelo

“Oi, de onde você é?”.

Impossível não começar um diálogo com esta pergunta na Jordânia.

Mas o mais encantador eram os sorrisos logo após a minha resposta : “Sou do Brasil”.

Antes de tudo, rebobinando a fita, encontramos o motivo desta viagem.

Sendo uma pessoa ativa, que raramente fica em casa, principalmente em período de férias da universidade, porém não do estágio (que frequento uma vez por semana),  fui sufocada pelo tempo livre de 6 dias.
Para algumas pessoas, férias significa fazer nada, ou melhor, poder fazer todas as coisas que você quer, descansar, dormir etc.
Para mim, isso estava sendo a coisa mais entediante dos últimos tempos, e eu precisava sair de lá o quanto antes.

Em busca de destinos para o dia seguinte, nada muito bem planejado, eis que surge a dúvida cruel de qual destino escolher.
Todos que me interessavam, e que cabiam no meu bolso, já haviam sido explorados (ou estavam agendados para os próximos meses).

Eu não sabia mais o que fazer, o desespero era tão grande para sair daquela caverna, que tive que romper um acordo com uma amiga e impulsivamente comprar os tickets para Eilat, em Israel.

Com poucas horas para montar meu roteiro optimamente, obtive uma certeza : Petra

Apesar de ser uma das 7 maravilhas do mundo, Petra nunca foi algo que me atraiu muito. Mas há o ditado que temos que vivenciar as coisas pessoalmente para podermos dar uma opinião.

Primeira parada desta exploração turística estava agendada para Aqaba, a cidade litorânea da Jordânia, a beira do Mar Vermelho.

Atravessar a fronteira entre Israel e a Jordânia tardou mais do que eu pensava e cheguei na praia só a ponto de ver o pôr do Sol, o que já valeu a pena.

Digamos que eles aproveitam a praia de um jeito diferente do que estamos ocidentalmente acostumados. Foi difícil encontrar alguém (fora turistas, o que não eram muitos) em trajes de banho. Entretanto em quase todos os círculos de pessoas havia um narguilé acompanhado de muita música. Infelizmente não consegui mergulhar para ver os famosos corais da região, mas só de estar com os pés na água e de camiseta (quando estavam -5° quando sai da Alemanha), valeu a pena de estar na praia.

Quase como uma marinheira de primeira viagem, esqueci o repelente, e até perceber que eles tinham picado até a pálpebra do meu olho esquerdo, e resolver perguntar se havia algo para espantá-los, a noite já havia sido perdida.

No dia seguinte era hora de partir cedo para Petra. Chegando na rodoviária, descobri como funcionava o sistema de horários jordanianos: quando o ônibus encher, ele parte.

Atrasos e mais atrasos

Como é só entrar em um veículo motorizado que caio nos braços de Morfeu, a espera de 1 hora e meia para o ônibus encher rendeu uma boa soneca. Porém o que causou mais um atraso (não programado).

Entrando às 2 da tarde no sítio arqueológico da cidade de Wadi Musa, mas conhecida como Petra, a decepção foi aparente. A quantidade de turistas e locais tentando te acompanhar pelo local era tão grande, que a primeira vista não entendi o que estava fazendo ali. Até que ponto a hospitalidade dos locais era demonstrada de forma honesta? Ou seria tudo uma forma de vender pacotes turísticos?

Viajar sozinha sendo mulher, nos faz escutar muitas frases que ninguém gostaria de ouvir, principalmente vindo de um mero menino. Justificada por um adulto, essa era a primeira vez do garoto por ali, e justamente por isso, ele não sabia como lidar com turistas. O que nos faz pensar onde ele aprendeu um inglês tão chulo, se não dos próprios adultos.

Tentando escapar deste caos no meio de tanta beleza, encontrei uma trilha que por acaso era o caminho para ver Treasure de cima. Depois de alguns passos subindo a montanha, o silêncio e a tranquilidade me encantaram e eu entendi o quanto aquele lugar era especial. Ao chegar ao final e ter aquela vista maravilhosa, o sentimento foi de enorme gratidão. No caminho de volta, o Sol se despediu sorrindo e me lembrando que era hora de descer rápido porque iria escurecer em breve e demorava quase uma hora para voltar, se tornando inevitável o uso de uma lanterna para não cair nas pedras.

No dia seguinte, às 6:30 da manhã lá estava eu de volta no complexo Nabataean com o objetivo de ver o monastério (Ad. Deir). Ao entrar no Canyon Siq e desta vez só ouvir o barulho dos pássaros, sem mais ninguém lá, Petra me conquistou.

Era aquilo que eu esperava (ou desejava, porque não tinha nenhuma expectativa pra falar a verdade). Passando rapidamente por todos os monumentos, fui subindo logo a trilha já sob Sol quente na minha cabeça. Parecia que eu estava pagando todos os meus pecados a cada degrau. No meio do caminho havia uma senhora, que obviamente me perguntou meu local de origem, e me fez prometer que olharia sua tenda na volta, e sem saber dizer não, eu a prometi.

Depois de 7,5km, eis que vejo o fim da escadaria, e quando me viro para a direita, avisto a fachada do monastério esculpida nas rochas.
Minutos depois três pessoas surgem de outra trilha, sendo um deles um guia que me invejou por eu ter sido a primeira do dia a chegar lá. Saber deste detalhe, tornou o sentimento de satisfação por ter chegado ali mais especial.

Infelizmente não podia ficar horas lá contemplando a Arquitetura e a natureza do lugar, era hora de voltar. Agora já relativamente cheia de pessoas e locais oferecendo seus burros para me levarem montanha abaixo, o sentimento de indignação me dominava. Como alguém com condições físicas paga para um animal ser explorado e te transportar para 200 metros acima. Esta sensação só se equilibrou quando vi uma turma de senhores com bengala subindo com muita disposição. Acho que foi o maior tour de bengalas que já vi.

Repentinamente ouço alguém chamando meu nome, era a vendedora me recordando de minha promessa. Tentando argumentar que eu não tinha mais dinheiro (o que era verdade considerando o dinheiro local), ela afirmou que aceitava em outras unidades monetárias. Acabei me rendendo e comprando algumas coisas para ajudá-la, ou como ela disse, o primeiro cliente sempre é abençoado. E ela me agradeceu por ter confiado na honestidade dela.

Com muita dor nas batatas das pernas, depois de quase 30km durante os dois dias, passei no albergue para pegar minha mochila e esperar novamente o ônibus para Aqaba, finalmente cruzando novamente a fronteira de volta para Israel.

A preocupação era não chegar tarde, pois eles fechavam a fronteira e no dia seguinte eu tinha que pegar meu voo para casa.

Fiz a infeliz pergunta pro motorista (após 1 hora de espera) a que horas ia sair. E ele teve a brilhante ideia de ganhar dinheiro sobre mim, dizendo que se eu queria voltar ainda hoje era melhor pagar mais. Olhei para os outros passageiros e eles concordaram em pagar mais para partir o comboio. Entretanto quando o ônibus saiu, tive o sentimento que fui a única trouxa que pagou a mais.

Enfim, vamos sempre seguir sendo honestos e fazendo o bem, independente da situação. Afinal, cheguei aonde eu queria: ver o pôr de sol na praia de Eilat.

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