Uma praia globalizada

By campodegelo

8 pessoas. 8 nacionalidades. 8 personalidades diferentes.

1 único objetivo: aproveitar a praia.

Uma Alemã, uma Americana, uma Canadense, uma Coreana, uma Francesa, uma Italiana, uma Suíça, e um Brasileiro, vivendo em harmonia em solo tailandês.

O mesmo mundo globalizado que nos juntos em Bangkok, nos fez buscar um refúgio, novamente nas águas quentes e transparentes de Koh Samet.

O plantel foi o descrito acima, 7 mulheres e eu. E antes que pensem besteira, não! Eu não era o maquiador.

Poucos minutos após ter tomado o ônibus, ocorreu uma parada não programada e uma troca de veículos. Mergulhado no sono e sem entender o que acontecia, rumei para o outro coletivo, e deixei para trás alguns pertences. Pouco tempo se passou até que percebi o meu lapso, e encorajado pelas minhas esposas (de final de semana) fui falar com o motorista.

Entre grunhidos de inglês e tailandês, uma jovem me ajudou a explicar o problema, e após algumas ligações eles decidiram retornar à praça onde esqueci o meu Kindle.

Não  seria justo tomar o tempo de 40 pessoas, então pedi para deixarem meu e-book na estação de Bangkok. Sem garantia alguma, mas com a certeza das boas ações tailandesas, continuamos para a praia.

Sombra, areia branca e fofa, água azul, e a companhia de 7 adoráveis pessoas.

Por si só isso já bastaria para um excelente final de semana, mas resolvi apimentar o retorno, propondo um desafio.

Eu voltaria de carona, e tentaria bater o tempo das demais no ônibus.

Yae, minha amiga coreana, que estudou comigo em Berlin e Seul, topou juntar-se a mim, e assim tomamos diferentes caminhos após a travessia de barco para o continente.

6 pessoas em um ônibus, com horário para partir e ar condicionado, contra 2 indivíduos e poucas certezas.

Façam suas apostas!

Quem chegará antes à Bangkok?

O ônibus partiria às 16 horas, então não perdemos tempo e começamos a caminhada para a beira da estrada.

Carona é um processo complexo, englobando desde o trajeto escolhido, até ao meio de transporte. O intuito é conhecer pessoas dispostas a ajudar e como consequência, depender do mínimo de dinheiro possível. Caminhadas e transporte público ganham a preferência se comparados com táxis.

3 km de muito suor depois, lá estávamos no ponto desejado, de onde expliquei brevemente como atrairiamos a atenção dos veículos.

Mal tivemos tempo de praticar o aprendizado, e 3 minutos depois já estávamos na caçamba de uma caminhonete rumo à Rayong (a próxima cidade, cerca de 30 km à frente).

A conversa e a alegria pela primeira carona de Yae nos contagiou, e não percebemos que o veículo adentrou a cidade. Um dos principais temores de um caroneiro.

Seguir dentro de uma metrópole não é tarefa das mais simples, mas como Rayong não era grande, uma simples caminhada nos levou novamente para a estrada. Mais 3 km de poeira e suor, e 15 minutos de espera, para a cartada final: uma corrida direto para Bangkok.

A esse ponto, o ônibus com as meninas estava liderando o percurso, e se encontrava a cerca de 40 minutos à nossa frente.

Com um olho no mapa do celular, outro no por do sol, e com a brisa agradável no cangote, fomos nos aproximando gradativamente.

Até que um dos momentos mais engraçados da minha curta carreira nas estradas ocorreu

Emparelhamos com o ônibus e avistamos as demais viajantes pela janela.

“Sorria e acene” dizia a mensagem de Melissa, e foi exatamente o que fizemos.

Depois deslanchamos e chegamos com bastante antecedência em Bangkok. Talvez não ao destino final, já que nos deixaram em Chinatown e uma caminhada final foi necessária.

Diria que foi um empate técnico, com um sentimento de vitória por ambos os lados, devido a mais um fim de semana magnífico.

Ah sim! Recuperei o meu Kindle ao voltar.

Fica de lição para verificar melhor os meus pertences e ainda acreditar na bondade do ser humano.

This entry was posted in Asia-pt

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *