Vida de Cão

By campodegelo

Eu já tomei a minha decisão.

Na próxima vida eu quero ser um cachorro, mas desses cães de madame mesmo.
Ficar por aí abanando o rabo, pedindo comida, chamando a atenção, levando um esporro aqui e ali, mas no final das contas tendo uma vida de mordomias e regalias. Tudo que eu precisarei fazer é dormir, comer e pular no meu dono quando ele chegar em casa, levantando o astral de todos.

Mas e se meu Karma de vidas passadas colocar meu eu canino em lugares não tão amistosos?

Se eu for um cão alemão, terei que ser disciplinado durante 3 semanas, para poder andar em público não demonstrando excessiva alegria.

Na América do Sul eu teria provavelmente certa liberdade. Sem dono, sem casa, sem a garantia de comida, mas com o mundo a desbravar. Cada poste seria uma conquista e cada canto poderia ser a minha cama. E como não me encantar com a televisão para cachorros, que não é um aparelho propagador da grande mídia, e sim um forno com vidros transparentes e frangos giratórios sendo assados. Doce ilusão que ganharei um, mas me deixe tentar.

Caso eu seja gerido na Índia, eu não serei um Deus. Até o maldito do rato é divino por lá, mas não o cachorro. Muito provavelmente eu teria que disputar meu alimento com corvos e demais animais no meio do lixo, mas eu poderia ter a minha própria gangue.

Se eu nascer na China ou Coréia pode ser que eu vire o jantar de alguém, mas pelo menos assim eu serviria à algum propósito maior.

Eita vida de cão!

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