A Origem do Ócio

By Tomate

Ócio
Substantivo masculino.

Dito como a mãe de todos os vícios.

Oriundo do Latim otium, “inatividade, ócio”. Originado pelo Indo-Europeu av-eo, “estou bem, vou bem”.

Desvirtuado pela sociedade desde que tenho lembranças.

Já na infância convivi com um ritmo incessante de otimização do meu tempo.
Esportes, estudos, tarefas extra curriculares e idiomas.

Na vida adulta isso só pioraria.
Universidade, cursos, aprimoração do meu conhecimento. Trabalho.

Deus ajudaria, quem cedo madrugasse.

Falavam que se eu parasse, alguém tomaria meu posto, então eu me preenchia de atividades. Sendo que muitos nem esse poder de escolha possuíam.

Parar faria com que eu começasse a pensar coisas ruins. Ficaria sozinho com maus agouros.

Nunca me ensinaram a lidar comigo mesmo. Era mais fácil ignorar meus problemas com alguma atividade produtiva. Se eu quisesse me desligar, via algum seriado, lia um livro, mas jamais ficaria pensando sozinho.

Não sei quando comecei a conversar comigo mesmo. Caí na tentação. Queria entender o que se passava, como se passava, e principalmente porque acontecia. 

Tive que lidar muito com a minha caixola nas viagens. Estava muitas vezes sozinho, sem um livro ou tv, simplesmente no chão de tapete de uma casa. E comecei a absorver o que eu tinha para dizer para mim mesmo. 

Passei a entender um pouco o que dava certo, e o que não dava. Aí rebatia questionando o porquê de não dar. Não vinham respostas prontas, e era um debate exaustivo, mas estava ganhando a confiança de mim mesmo, pouco a pouco, dia a dia.

Percebi que se eu me compreendesse, e deixasse os pensamentos fluírem, tentando os interpretar, eu estaria cortando o mal pela raiz.

Foi mais ou menos por aí que comecei a transformar solidão em solitude, e aprendi que ela era uma boa amiga do ócio, que na sua origem significava estar bem. Se eu realmente estava, não teria como saber com plena certeza, mas seguirei batalhando para frear o atropelo da vida, mesmo que continuem me considerando um vagabundo por isso. 

3 thoughts on “A Origem do Ócio

  • Raquel abril 5, 2020 at 20:25 Reply

    Isso aí. Não tenho trabalho formal nas terdes de 3a a 6a-feira. Mas, se durmo à tarde, me pego sem coragem de contar, como se fosse uma afronta, um pecado.
    Muito doido isso. Parabéns por não se render. O corona convida a todos para passar por esse processo, mas a roda da vida, e o apego ao modus vivendi do século XX, ainda não permite a alguns (não me refiro àqueles que o fazem por estrita necessidade de sobrevivência.). Essa semana notei que as instituiçoes onde trabalho podiam parar, mas optaram por continuar, nos roubando esse tempo do ócio.

  • @free.igor abril 6, 2020 at 10:12 Reply

    Muito obrigado pela reflexão meu querido <3

  • Lays abril 6, 2020 at 13:47 Reply

    Eu gosto do “ócio”. Mas meu ócio é aquele em que não trabalho. Mas faço algo, sempre. Não fazer absolutamente nada me traz angústia e ansiedade. Eu sei eu sei, nada legal. Estou tratando ☺️

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