Deserto do Saara e sua Sonoridade

By Tomate

Se o rock está prestes a morrer, talvez seja porque você não conhece o que acontece no deserto do Saara. Tudo bem, talvez não seja um conceito perfeito de rock. Chamaremos então de O Blues do Deserto.
Um estilo musical descrito como uma mistura de blues e de música norte-africana. Conhecido também como Tishoumaren, assouf, rock do deserto, takamba, ou rock Tuaregue.
Sonoridade que tomou forma como expressão da difícil situação sociopolítica do povo Tamasheq (ou Tuaregue, como são vulgarmente referidos) depois das potências coloniais terem deixado o Norte de África. A palavra Tishoumaren deriva da palavra francesa chômeur, que significa “os desempregados”. Por vezes simplesmente chamada “música de guitarra”, o estilo inspira-se na emergência do Tamasheq como um povo e uma cultura no meio da agitação no Norte de África pós-colonial.
Alguns dos artistas aqui listados fugirão do estilo definido como Blues do Deserto, mesclando com o blues de Mali, por exemplo. Não se atenha a isso.
Lembrando que a lista abaixo não é definitiva, nem elaborada por um especialista. Caso haja algo para ser incluído, retirado ou alterado, por favor entre em contato.

Ali Farka Touré

Mali

Ali Farká Touré foi um dos primeiros a popularizar a mistura dos ritmos malinês como o blues norte-americano, sendo um cantor e multi-instrumentista renomado, considerado pela revista Rolling Stones como um dos 100 maiores guitarristas de todos os tempos.}
Vencedor por 2 vezes do prêmio Grammy.

Bombino

Niger
bombino

Omara Bombino Moctar, ou simplesmente Bombino, um guitarrista e compositor tuaregue da região de Agadez, no Níger, que com canções remetendo questões geopolíticas do seu país e povo, conquistou aclamação internacional. 

Boubacar Traoré

Mali
Boubacar Traoré

Boubacar Traoré ganhou destaque pela primeira vez no início dos anos 60, quando começou autodidaticamente a tocar guitarra com um estilo que misturava o blues americano, música árabe e estruturas pentatónicas encontradas na região cultural Mande da África Ocidental. Passou por um período de extrema pobreza, pois não detinha os direitos da própria música, mas atualmente tem participado de concertos mundo afora.

Djelimady Tounkara

Mali
Djelimady Tounkara

Nascido no Mali, Djelimady cresceu rodeado de música tradicional tocada por membros da sua família, griots, que eram músicos e historiadores por nascimento. Djelimady tocava tambor djembe e ngoni, um alaúde tipo banjo, quando era rapaz. Durante toda a sua vida adulta, Djelimady tem trabalhado para transformar as suas tradições ancestrais em algo mais popular, e apesar de fugir um pouco do dito blues do Saara, sua habilidade técnica com a guitarra não poderia ser esquecida desta lista.

Etran Finatawa

Niger
Etran Finatawa

A grande sacada dessa vertente musical do deserto do Saara é a mistura de elementos tradicionais locais com guitarras elétricas, e a banda Etran Finatawa não foge dessa junção de universos. Baseada no Niger, ela junta a tradição Wodaabe com uma nova sonoridade. Seu nome significa “As estrelas da tradição”.

Imarhan

Argelia
Imarhan

Quinteto argelino, com ritmo rápido e envolvente, misturando mais do que o blus, o groove e as novas vertentes da música Tichumaren.

Les Filles de Illighadad

Niger
Les Filles de Illighadad

Se você observar a lista completa, encontrará somente bandas compostas por homens, e não a elaborei assim por mal. 
Fatou Seidi Ghali tinha que praticar escondida da sua família, utilizando a guitarra de seu irmão, e hoje forma a banda Les Filles de Illighadad, com seu primo e outras integrantes.
Tida como a primeira banda feminina neste estilo, ou talvez a precursora a tomar os ouvidos internacionais.
Fatou diz que seu pai queria que ela cuidasse do gado, e ainda bem que ela não cedeu.

Mdou Moctar

Niger
Mdou Moctar

Mdou Moctar, referenciado por críticos como o Jimi Hendrix do deserto. 
Preciso dizer mais alguma coisa?
Foi através dele que conheci esse ritmo.
Originário do Niger, Mdou Moctar canta sobre amor, educação e paz no idioma Tamasheq.

Songhoy Blues

Mali
Songhoy Blues

O Songhoy Blues é um grupo musical de blues do deserto de Timbuktu, Mali. A banda foi formada em Bamako (capital e mais populosa cidade do país)  após ter sido forçada a abandonar as suas casas durante o conflito civil e a imposição da Xaria.
Sonoridade que diferencia um pouco dos outros elementos dessa lista, mas não em qualidade.

Tamikrest

Mali
Tamikrest

Mais uma banda que combina elementos da música tradicional africana, o rock e pop ocidental, e letras cantadas em Tamasheq, com guitarras elétricas, youyous, baixo, bateria, djembé e outros instrumentos de percussão.
Seus membros revelam influências que vão de Bob Marley a Pink Floyd, passando por Jimi e Mark Knopfler.

 

Terakaft

Mali
Terakraft

Talvez a denominação Blues do Deserto, ou a não compreensão das letras faça com que coloquemos todas as bandas aqui listadas como iguais em sonoridade, mas a habilidade que certas bandas demonstram vai muito além da trivial categorização. 
Terakaft é mais um exemplo da vivacidade, ferocidade e estilo que encontra no deserto uma forma de resistência.

Tinariwen

Mali
Tinariwen

Uma das bandas mais antigas aqui representadas, formada na Argélia no final dos anos 70, e que retornou para o Mali depois de um cessar-fogo na década de 90, Tinariwen é tida como a banda que introduziu guitarras no deserto.
Vencedores do Grammy de melhor álbum de World Music em 2012.

Vieux Farka Touré

Mali
Vieux Farka Touré

Filho de peixe, peixinho é.
Vieux Farka Touré é filho de um dos maiores guitarristas de todos os tempos: Ali Farka Touré, que por sinal abre essa lista.
Não é somente pelo fator genético que ele participou da abertura da Copa do Mundo de Futebol 2010 e teve participação de Dave Matthews em um de seus álbums

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